domingo, 31 de julho de 2011
o que afinal...
...parece que toda a gente sabe . mesmo que alguém me tenha respondido que era uma doença de pele!
quinta-feira, 28 de julho de 2011
domingo, 3 de maio de 2009
e-mílios

"A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria-prima de um país.
Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal e se tira um só jornal, deixando-se os demais onde estão.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos ....e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
Pertenço a um país:
- Onde a falta de pontualidade é um hábito;
- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
- Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
- Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria-prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa ‘chico-espertice portuguesa’ congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, eleitos por nós. Nascidos aqui, não noutra parte...
Fico triste.
Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.
Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e estou seguro de que o encontrarei quando me olhar no espelho. Aí está. Não preciso procurá-lo noutro lado.
E você, o que pensa?.... "
*Eduardo Prado Coelho - in Público*
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
realidades ignoradas
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"Arquitecta há mais de dez anos (a recibos verdes claro) num atelier internacionalmente reconhecido, deparo-me agora com uma situação que nunca passei atravessar: um cancro de mama.
Sempre descontei para a segurança social (do meu bolso claro) e esta oferece-me agora uma "baixa" ridícula: posso ficar em casa até 12 meses, sem pagar a prestação à Segurança Social e sem direito a qualquer tipo de remuneração.
Deve-se ter em conta que um tratamento oncológico deste tipo demora cerca de um ano e meio... e a pseudo-baixa é de um ano!
No entanto, se trabalhasse por conta de outrem a mesma baixa poderia alongar-se até três anos. Deduzo então que o Estado parte do princípio que os profissionais liberais (forçados ou não) têm mais saúde e podem alegremente trabalhar entre quimioterapias e nos pós-operatórios.
Vivo neste momento da caridade. Da família e da entidade patronal, apesar das suas ameaças de despedimento. Para que não seja despedida tenho ido trabalhar quando na verdade só me apetece ficar em casa a descansar e a enjoar...
Para além do processo de cura ser doloroso, passo os dias a pensar que não escolhi ter um cancro mas alguém escolheu não me fazer a m**da de um contrato de trabalho e, mais uma vez, não posso contar com o Estado.
Acrescento ainda que tenho um bebé.
Vou iniciar uma acção jurídica contra a "entidade patronal" pois acredito que todo o dinheiro que me devem será o meu meio de subsistência nos próximos tempos. "
--
Por mero acaso, como freelance, a recibos verdes, tenho um trabalho começado sobre este assunto que nunca avançou porque, dizem os editores, não interessa às publicações.
Talvez também por mero acaso, dizem-me que "já toda a gente falou nisso", mesmo que as situações surjam e piorem todos os dias.
O que provavelmente já não será mero acaso, é o facto de a APESPE nunca ter aceite os pedidos de entrevista pessoal ou respondido a três mails com a entrevista por escrito.
Acaso ou não, o Provedor para os Trabalhadores Temporários é pago pela APESPE, coisa que só os mais interessados e/ou tocados pelo assunto sabem. Isto e outras coisas. Testemunhos reais, onde há gente que tem nome e cara.
Contudo, a nossa imprensa escrita não mistura o anúncio ao Volvo ou ao Rollex com realidades menos cor-de-rosa porque o povo precisa é de sonhar, não de pensar.
Continuamos a alimentar uma sociedade onde a ileteracia cresce a olhos vistos, sustentada pelos órgãos de comunicação social. Não se utilizam palavras menos vulgares porque a população já não as sabe entender ou, na pior das hipóteses, nem ler.
Os grandes grupos, comandados, diz-se que não se sabe bem por quem, controlam o acesso à informação. Não há censura. Apenas uma escolha no sentido de ir ao encontro do que as pessoas gostam de ler/ver.
Mas tudo vai bem, neste jardinzinho à beira mal calcinado.
Como diz a Xana, "se queres ser feliz, não aprofundes!"
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
alguém escreveu
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"
(...)
Escreve uma precária que já ultrapassou os 40 anos, nada tem a ver com esquerda ou direita e não está ligada aos Precários inflexíveis.
Se este é um projecto para ficar, porquê entregá-lo a uma Empresa de Trabalho Temporário (ETT)? Não se trata apenas de manter vínculos mas de criar novos. Para além da precariedade que muitos de nós, muitas vezes sem direito a férias ou dinheiro para elas, sentimos, há o esbanjar do dinheiro que é público e que é pago às ETT’s.
Estou neste momento num departamento do Estado, contratada por uma ETT. É um local onde, como diz, ou os seus colegas fazem muito pouco (hipótese que não excluo), ou necessitam efectivamente de gente. Mas nós, os contratados, estamos todos os meses com a guilhotina sobre o pescoço. Só dois dias úteis antes do fim do mês, sabemos se teremos ou não emprego no dia 1... e não faltamos, não nos atrasamos, não gozamos os tais 30 minutos a que dizem termos direito. Sei que entre os 14 que se mantêm (dos 50 iniciais), os objectivos são DUPLICADOS, mas todos temos conhecimento que, no final do mês de Outubro, TÊM de sair 7 pessoas. Que critérios vão utilizar, uma vez que nos mantemos em pé de igualdade, não conseguimos discernir. Apenas sabemos que 7 de nós, alguns com casa e filhos para sustentar, vamos deixar de ganhar os nossos €4,38/hora (o que é quase o dobro do que se pratica num call center, por onde também já passei) porque o Estado, para o qual prestamos serviço, prefere pagar uma quantia que desconheço (duvido que consiga ter acesso ao tal caderno de encargos) a assumir a responsabilidade de empregar gente da qual mostra necessidade. (...)"
a ovelha xoné
escreveu aqui:
"
Imaginem
Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.
Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.
Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.
Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.
Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.
Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.
Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.
Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo.
Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.
Imaginem que país seremos se não o fizermos
"
domingo, 12 de outubro de 2008
sábado, 11 de outubro de 2008
o estágio da nação
Via FERVE - http://fartosdestesrecibosverdes.blogspot.com/
O FERVE - Fartos/as d'Estes Recibos Verdes vem por este meio manifestar a sua total estupefacção perante a desfacatez de uma Empresa Muncipal de Lisboa que hoje publica um anúncio no caderno de emprego do jornal Expresso, solicitando um arquitecto ao qual oferece um estágio não remunerado.
Esta empresa, que ignóbil e cobardemente não se identifica, afirma desempenhar ter um papel "socialmente relevante". Todavia, parece não considerar socialmente relevante pagar aos trabalhadores.
O FERVE recorda as palavras do Ministro do Trabalho, Vieira da Silva que, quando por nós questionado no programa Prós e Contras, da RTP, afirmou que "o Estado fará a sua parte" no que concerne à regularização dos precários e 'falsos'recibos verdes na administração pública.
(http://http//www.youtube.com/watch?v=nBtbacX3CwI)
Assim, parece-nos legítimo questionar se a saída encontrada pela passará pela contratação de pessoas a quem não se pretende pagar qualquer remuneração, algo que noutros tempos era designado como escravatura.
De seguida, apresentamos o texto do anúncio na íntegra e também o link:
http://aeiou.expressoemprego.pt/scripts/vaczoeker/display-vacancy-v2.asp?VacancyID=148457
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Descrição da empresa: EMPRESA MUNICIPAL - LISBOA
Descrição da função:
- Apoio ao licenciamento urbanístico;
- Apreciação de projectos;
- Manuseamento dos sistemas informáticos de gestão urbanística, documental e de georeferenciação implantados na Empresa;
Perfil do candidato:
O candidato deverá:
- Ter licenciatura em arquitectura;
- Possuir bons conhecimentos de informática;
- Ser responsável, perfeccionista, organizado;
- Ter capacidade de trabalho e de integração em equipa;
- Ter disponibilidade;
- Ter possibilidade de entrada imediata.
Oferta:
- Integração em equipa competente, motivada e dinâmica;
- Integração em Empresa com funções socialmente relevantes;
Observações:
ESTÁGIO NÃO REMUNERADO.
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